{"id":2409,"date":"2023-12-08T11:15:55","date_gmt":"2023-12-08T14:15:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/?p=2409"},"modified":"2023-12-19T14:53:29","modified_gmt":"2023-12-19T17:53:29","slug":"musica-eletronica-o-som-do-passado-presente-e-futuro-das-quebradas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2024\/novidades\/musica-eletronica-o-som-do-passado-presente-e-futuro-das-quebradas\/","title":{"rendered":"M\u00fasica eletr\u00f4nica: O som do passado, presente e\u00a0 futuro das quebradas"},"content":{"rendered":"<p>por <strong>Paulo Pastore<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A m\u00fasica eletr\u00f4nica vem sendo utilizada como ferramenta para a cria\u00e7\u00e3o de outros futuros poss\u00edveis. Essa miss\u00e3o \u00e9 uma identidade comum que acaba unindo o trabalho da DJ Luana Flores, a \u201cNordeste Futurista\u201d (Jo\u00e3o Pessoa-PB), da DJ Brazook (S\u00e3o Paulo-SP), do Nelson DJ, nascido em Manaus (AM) e criado na It\u00e1lia e Moon K, da Techo na Quebrada (S\u00e3o Paulo-SP). <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O Est\u00e9ticas das Periferias conversou com esses artistas para entender como a m\u00fasica eletr\u00f4nica, por meio da tecnologia e da est\u00e9tica futurista, cria novas formas de sociabilidade, prop\u00f5e e defendem a exist\u00eancia de diferentes corpas e corpos, enquanto explora a pot\u00eancia r\u00edtmica de sons ancestrais e sint\u00e9ticos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A DJ Luana ressalta que a caracter\u00edstica inovadora e criativa da m\u00fasica eletr\u00f4nica estabelece uma potente correspond\u00eancia com pessoas que t\u00eam corpos dissidentes, que est\u00e3o fora dos padr\u00f5es hegem\u00f4nicos estabelecidos socialmente.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2411\" aria-describedby=\"caption-attachment-2411\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2411 size-large\" src=\"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/lu1-fotor-2023120811556-800x600.jpg\" alt=\" Luana Flores\" width=\"600\" height=\"450\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2411\" class=\"wp-caption-text\">Luana Flores<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu acredito que a m\u00fasica eletr\u00f4nica vem sendo uma forma de expressar a nossa identidade. Tem sido<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> muito significativo ver outras <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">corpas dissidentes, assim como a minha, ocupando esse espa\u00e7o e usando a m\u00fasica eletr\u00f4nica como uma forma de expressar suas lutas, suas quest\u00f5es, al\u00e9m de propor tamb\u00e9m novas sonoridades\u201d afirma.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para a artista, ao estabelecer um di\u00e1logo entre o seu territ\u00f3rio e a tecnologia que vem sendo desenvolvida no mundo, a m\u00fasica eletr\u00f4nica se transforma em uma ferramenta de desenvolvimento e de representa\u00e7\u00e3o de grupos insurgentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA gente est\u00e1 a\u00ed dialogando com a m\u00fasica que est\u00e1 sendo feita no mundo todo, inserindo elementos do que nos representa, representa o nosso territ\u00f3rio. Ent\u00e3o, pra mim, eu acredito que a m\u00fasica eletr\u00f4nica vem sendo esse movimento de democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao desenvolvimento, de m\u00fasica, de identidade e de constru\u00e7\u00e3o de uma nova cena ocupada por corpos dissidentes, LGBTs, nordestinos\u201d.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2412\" aria-describedby=\"caption-attachment-2412\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2412 size-large\" src=\"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/brazook2-fotor-202312081192-scaled-e1702044627341-800x600.jpg\" alt=\"Brazook\" width=\"600\" height=\"450\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2412\" class=\"wp-caption-text\">Brazook<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Brazook, atualmente a m\u00fasica eletr\u00f4nica vem passando por um movimento de retomada, de um esfor\u00e7o para mostrar que essa \u00e9 uma forma de express\u00e3o que tem origens populares. Ela lembra que, na d\u00e9cada de 80, a m\u00fasica eletr\u00f4nica come\u00e7ou a se tornar popular nos guetos dos Estados Unidos, sendo que, s\u00f3 depois foi levada para a Europa e ent\u00e3o se internacionalizou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNas festas de house, l\u00e1 na d\u00e9cada de 80, pessoas em situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade, negras, pobres, travestis, pessoas imigrantes, latinas, frequentavam esses espa\u00e7os de comunh\u00e3o. Infelizmente, com o tempo isso se perdeu, mas isso est\u00e1 voltando a ser um espa\u00e7o para pessoas dissidentes, corpos negros e marginalizados est\u00e3o indo para os eventos, n\u00e9, performar, mostrar o seu trabalho\u201d, comenta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400;\">A m\u00fasica eletr\u00f4nica tem como um de seus ber\u00e7os a cidade Chicago, Nova York e Detroit, nos Estados Unidos. O\u00a0 DJ negro Frankie Knuckles, da club The Warehouse, \u00e9 tido com um dos precursores do movimento house em Chicago. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A origem do g\u00eanero ocorreu nos clubes underground que tinha como p\u00fablico majorit\u00e1rio a comunidade negra e gay, que n\u00e3o tinham acesso \u00e0s principais casas de shows, na \u00e9poca.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Tecnologia <\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na vis\u00e3o de Moon K, da Techo na Quebrada, a rela\u00e7\u00e3o da m\u00fasica eletr\u00f4nica com a tecnologia est\u00e1 na pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o da m\u00fasica, uma vez que toda a estrutura da m\u00fasica, da sua produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 execu\u00e7\u00e3o passar pela aplica\u00e7\u00e3o e usos de dispositivos tecnol\u00f3gicos.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2413\" aria-describedby=\"caption-attachment-2413\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2413 size-large\" src=\"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/moonk-aruanda-FINAL@hi_lorran-23-800x600.jpg\" alt=\"Moon K\" width=\"600\" height=\"450\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2413\" class=\"wp-caption-text\">Moon K<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA m\u00fasica eletr\u00f4nica \u00e9 constru\u00edda atrav\u00e9s de equipamentos que geram sons artificialmente e por meio da t\u00e9cnica de sampling, uma t\u00e9cnica de reutiliza\u00e7\u00e3o de uma parte de uma m\u00fasica ou algum \u00e1udio, por exemplo, um trecho de filme. Com o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, atualmente, grande parte das m\u00fasicas s\u00e3o criadas atrav\u00e9s de softwares, ent\u00e3o, acredito que essa associa\u00e7\u00e3o exista e resista por conta dos pr\u00f3prios timbres que, no passado, eram bem diferentes dos instrumentos tradicionais\u201d.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Para Moon K,\u00a0 se por um lado a necessidade de dispositivos tecnol\u00f3gicos pode criar alguma barreira de entrada, por outro\u00a0 a receptividade do p\u00fablico e a vontade das pessoas estarem nessa festa, s\u00e3o exemplos que demonstram haver ainda muito espa\u00e7o para o crescimento do g\u00eanero na quebrada. Brazook tamb\u00e9m compartilha da ideia de que do \u201cponto de vista material\u201d, a m\u00fasica eletr\u00f4nica \u00e9 intrinsecamente ligada \u00e0 tecnologia. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPara fazer uma m\u00fasica, a gente precisa de instrumentos digitais e esses instrumentos evolu\u00edram muito com o passar dos anos. A gente usa teclados, pads e computadores. Acredito que devido a essa obriga\u00e7\u00e3o ao uso da tecnologia para fazer esse tipo de m\u00fasica, muita gente acaba sendo afastada de maneira quase que natural por quest\u00f5es financeiras\u201d, lamenta. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Contudo, para ambos, a populariza\u00e7\u00e3o e aumento de acesso a ferramentas tecnol\u00f3gicas digitais tem colaborado para uma transforma\u00e7\u00e3o da cena.\u00a0 Para Luana, a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso tem passado tanto pelo relativo barateamento de alguns dispositivos como, tamb\u00e9m, pelo uso da internet como uma plataforma de ensino e aprendizagem.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEsse tipo de som que a gente vem desenvolvendo, ele est\u00e1 sendo cada vez mais acess\u00edvel. Tem muito v\u00eddeo no YouTube que ensina como \u00e9 que voc\u00ea produz beat, por exemplo. Claro que ainda n\u00e3o est\u00e1 acess\u00edvel do jeito como a gente gostaria, mas com certeza vem existindo essa democratiza\u00e7\u00e3o do acesso a essa linguagem\u201d. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Futurismo<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Para os entrevistados, a forte presen\u00e7a da tecnologia aliada ao esfor\u00e7o de buscar inspira\u00e7\u00e3o em movimentos hist\u00f3ricos de luta, enquanto se constr\u00f3i um novo futuro, facilita a aproxima\u00e7\u00e3o de artistas da m\u00fasica eletr\u00f4nica com a est\u00e9tica do futurismo. Brazook entende o futurismo, e suas diversas ramifica\u00e7\u00f5es, como um processo de usar a tecnologia para manter vivas a mem\u00f3ria e a hist\u00f3ria de luta de manifesta\u00e7\u00f5es culturais e de lutas de resist\u00eancia \u00e0s opress\u00f5es.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2414\" aria-describedby=\"caption-attachment-2414\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2414 size-large\" src=\"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/042_Rafael_Salvador_CR6_3665-fotor-20231208111334-800x600.jpg\" alt=\"DJ Nelson D\" width=\"600\" height=\"450\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2414\" class=\"wp-caption-text\">DJ Nelson D<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cOs arstitas negros, ind\u00edgenas, pessoas dissidentes t\u00eam usado bastante a narrativa do futurismo como uma forma de reviver, de n\u00e3o deixar morrer, as suas hist\u00f3rias, sua cultura e somando esse esfor\u00e7o com a modernidade\u201d, avalia.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Para o DJ Nelson D, ind\u00edgena radicado na It\u00e1lia, o futurismo \u00e9 um recurso est\u00e9tico que tem bastante ader\u00eancia entre os artistas que olham para o passado n\u00e3o de uma forma idealista, mas com um olhar cr\u00edtico de entender como os processos hist\u00f3ricos moldam o nosso presente e influenciam o futuro.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO futurismo-ind\u00edgena \u00e9 um movimento de produ\u00e7\u00e3o cultural ind\u00edgena inspirado no afrofuturismo. Apesar de, hoje, n\u00e3o me colocar como algu\u00e9m que se limita a esse movimento, existem carater\u00edsticas do meu trabalho que se inspiram e s\u00e3o preenchidas por ele\u201d, pontua. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Luana explica que o futurismo tem exibido diversos desdobramentos que v\u00e3o da valoriza\u00e7\u00e3o do uso da tecnologia a cria\u00e7\u00e3o de outras realidades, outros futuros. Para ela, \u00e9 essa gama de possibilidades que tem feito com que essa est\u00e9tica venha ganhando tanta ader\u00eancia a movimentos de luta como afrofuturismo, futurismo-ind\u00edgena e o Nordeste Futurista. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO futurismo tem sido um termo para manifestar muitas lutas e o que a gente prop\u00f5e, com o Nordeste Futurista, \u00e9 dar visibilidade a nosso territ\u00f3rio, a gente tem lutado para mais protagonismo para nossa hist\u00f3ria, para nosso espa\u00e7o, para os ritmos nordestinos\u201d, afirma. \u201cAl\u00e9m disso, tem uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande com a imagem. S\u00f3 o fato de ser um projeto encabe\u00e7ado por uma mulher l\u00e9sbica nordestina, j\u00e1 representa muita coisa, n\u00e9? A gente tem feito esse movimento de valorizar s\u00edmbolos e signos do nordeste, ressignificando-os de uma forma que fa\u00e7a sentido para o momento contempor\u00e2neo e tamb\u00e9m exiba o orgulho do nosso territ\u00f3rio.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><b>Espa\u00e7os de afirma\u00e7\u00e3o de direitos<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se a rela\u00e7\u00e3o da tecnologia com a m\u00fasica eletr\u00f4nica \u00e9 uma ideia do senso comum que se confirma na pr\u00e1tica, a no\u00e7\u00e3o de que a \u201cm\u00fasica eletr\u00f4nica \u00e9 coisa de branco\u201d \u00e9 um chav\u00e3o que, para os entrevistados, ao mesmo tempo que n\u00e3o representa a realidade como ela \u00e9, precisa ser desconstru\u00eddo. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Moon K denuncia que existe um esfor\u00e7o cont\u00ednuo de manter a m\u00fasica eletr\u00f4nica como algo restrito a grandes festivais, espa\u00e7os elitizados, que s\u00e3o feitos e ocupados por pessoas brancas. Apesar de isso criar dificuldades para a constru\u00e7\u00e3o da cena nas periferias, existe um p\u00fablico interessado em estar nesses espa\u00e7os e tem muita gente querendo fazer m\u00fasica eletr\u00f4nica na quebrada.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAs festas, os clubes e os bares menores s\u00e3o engolidos pelas grandes festas e festivais. Acredito que existe um desafio de trabalharmos e investirmos na valoriza\u00e7\u00e3o de artistas locais, mas no meu ponto de vista, isso tem que come\u00e7ar de dentro pra fora. Investindo mais na quebrada com a\u00e7\u00f5es sociais, trazendo, de forma acess\u00edvel, festas de qualidade (soundsystem, equipamento pros artistas se apresentarem, estrutura, etc) pra que isso tudo seja visto e compreendido, principalmente, pelos moradores da periferia, que esse mercado pode trazer in\u00fameros benef\u00edcios para todos\u201d.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O desejo de ver a cena da m\u00fasica eletr\u00f4nica fortalecida na periferia tamb\u00e9m \u00e9 um desejo de Brazzok que tem como um de seus sonhos \u201clevar o tipo de som que eu toco nas festas do centro, da Zona Oeste, pras periferias, pras lugares mais afastados, incluindo o meu bairro Cap\u00e3o Redondo\u201d. Para a artista, se a m\u00fasica eletr\u00f4nica nasceu da iniciativa de pessoas negras que \u201chackeavam\u201d o sons, para fazer suas pr\u00f3prias festas, n\u00e3o h\u00e1 porque duvidar que esse processo pode acontecer novamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00e3o foram as pessoas brancas que criaram a m\u00fasica eletr\u00f4nica. Talvez tenha sido popularizado com essa imagem, mas a m\u00fasica eletr\u00f4nica \u00e9 preta, \u00e9 ind\u00edgena, \u00e9 trans, \u00e9 gay, \u00e9 l\u00e9sbica, \u00e9 pobre. O que eu tenho percebido hoje, \u00e9 que esses mesmos grupos est\u00e3o retomando esses espa\u00e7os, est\u00e3o indo nas festas performar, mostrar seu trabalho, mostrar que esse n\u00e3o \u00e9 espa\u00e7o dos brancos e nem criados pelos brancos\u201d. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A rela\u00e7\u00e3o entre p\u00fablico e artistas \u00e9 central para constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de seguran\u00e7a dentro da m\u00fasica eletr\u00f4nica, explica Luana. Isso porque, quando mulheres l\u00e9sbicas a v\u00eam se apresentando, sentem que aquele \u00e9 um espa\u00e7o onde \u201celas podem ser o que s\u00e3o\u201d, e, para o artista que se apresenta, se reconhecer no p\u00fablico, tamb\u00e9m \u00e9 muito significativo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cOs espa\u00e7os de m\u00fasica eletr\u00f4nica v\u00e3o ser ainda mais acolhedores quando quem estiver organizando e produzindo esses espa\u00e7os forem outras corpas e corpos. Ainda falta essa produ\u00e7\u00e3o com mais a nossa cara, sabe?\u00a0 Ent\u00e3o acho que eu sinto que a gente est\u00e1 conseguindo furar a bolha, mas que ainda n\u00e3o conseguimos alcan\u00e7ar esse espa\u00e7o de acolhimento massa que a gente merece\u201d.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Paulo Pastore &nbsp; A m\u00fasica eletr\u00f4nica vem sendo utilizada como ferramenta para a cria\u00e7\u00e3o de outros futuros poss\u00edveis. 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