{"id":1993,"date":"2022-10-14T14:19:53","date_gmt":"2022-10-14T17:19:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/?p=1993"},"modified":"2022-11-23T11:30:40","modified_gmt":"2022-11-23T14:30:40","slug":"ballroom-paciencia-e-carinho-com-quem-esta-comecando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2024\/novidades\/ballroom-paciencia-e-carinho-com-quem-esta-comecando\/","title":{"rendered":"Ballroom: Paci\u00eancia e carinho com quem est\u00e1 come\u00e7ando"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">A cultura ballroom \u00e9 receptiva com quem \u00e9 novo na cena? Para responder essa pergunta, o Est\u00e9ticas das Periferias conversou com Eduarda Kona, mother da House of Zion e Jordan Ariel, da Casa de Pimentas, que falaram um pouco sobre quem s\u00e3o as babies, qual o lugar delas e os principais desafios para quem est\u00e1 iniciando sua trajet\u00f3ria nas ball\u2019s.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Dentro do vocabul\u00e1rio ballroom, babies \u00e9 o termo utilizado para definir quem ainda \u00e9 iniciante dentro da cultura, muitas vezes nunca desfilou, \u00e0s vezes n\u00e3o pertence a nenhuma casa ou n\u00e3o conhece a maioria dos os passos e movimentos. Jordan explica que as babies s\u00e3o pessoas \u201cvirgens\u201d, rec\u00e9m chegadas na comunidade que, muitas vezes, nunca tiveram um contato direto ou orientado sobre a cultura, mas que possuem \u201cmuita energia, muita vontade de aprender, vontade de inovar, de fazer dar certo de v\u00e1rias formas diferentes\u201d.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1997 size-thumbnail aligncenter\" title=\"Eduarda Kona\" src=\"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/WhatsApp-Image-2022-10-14-at-2.36.56-PM-250x250.jpeg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/> <img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1998 size-thumbnail alignleft\" title=\"Jordan Ariel\" src=\"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/WhatsApp-Image-2022-10-05-at-2.52.52-PM-250x250.jpeg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eduarda Kona \u00e9 direta em dizer que a cultura ballroom \u201cn\u00e3o tem paci\u00eancia\u201d para quem \u00e9 novo. \u201cSendo bem franca, n\u00e3o tem paci\u00eancia para quem est\u00e1 come\u00e7ando. Pouca gente dedica tempo para as pessoas que est\u00e3o iniciando. Geralmente esse cuidado vem das pioneiras e pioneiros (como s\u00e3o conhecidos os precursores da cena no Brasil) porque sabem que as pessoas precisam come\u00e7ar de algum lugar\u201d, observa. \u201cDe modo geral, quem t\u00e1 come\u00e7ando tem que correr mais e mais r\u00e1pido para conseguir acompanhar\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A energia criativa das babies, elogiada por Jordan e a preocupa\u00e7\u00e3o em criar um ambiente acolhedor para elas, lembrada por Eduarda, foi parte do esp\u00edrito que levou a promo\u00e7\u00e3o da\u00a0 \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">PiCUNT BABY BALL\u201d, dentro da programa\u00e7\u00e3o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">da 12\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Est\u00e9ticas das Periferias. O evento,\u00a0 realizado no predinho da A\u00e7\u00e3o Educativa, foi destinado principalmente para o protagonismo das babies,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> organizado pela a kiki Casa de Pimentas, house composta por pessoas pretas, travestis e n\u00e3o bin\u00e1ries das regi\u00f5es: Cap\u00e3o Redondo, Graja\u00fa, Itapecerica da Serra e Embu.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Entre as iniciativas no sentido de promover esse acolhimento de uma forma mais did\u00e1tica, Jordan desenvolveu uma s\u00e9rie de oficinas voltadas \u00e0s babies. As aulas est\u00e3o acontecendo na sede da A\u00e7\u00e3o Educativa, sempre \u00e0s segundas-feiras, com participa\u00e7\u00e3o gratuita. Ao todo s\u00e3o oito oficinas ensinando os principais fundamentos e bases da ballroom.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuanto mais eu me preocupo em acolher as babies, isso se reverte para mim, \u00e9 uma forma de cuidar de mim mesmo. Quem\u00a0 est\u00e1 iniciando tamb\u00e9m tem muito para me ensinar, tamb\u00e9m vai me acolher. Para mim, faz muito sentido o ditado \u2018quando a gente ensina, a gente aprende mais\u201d, diz Jordan.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como em todo universo novo, na ballroom tamb\u00e9m existem algumas \u2018barreiras de entrada\u2019 ou desafios a serem superados, explica Eduarda. Desde a falta de conhecimento dos movimentos, a inexperi\u00eancia na dan\u00e7a e nos passos ou at\u00e9 mesmo o desconhecimento da l\u00edngua inglesa, de onde v\u00eam muitos dos termos usados.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cFazendo uma lista, em primeiro lugar, eu diria que a l\u00edngua \u00e9 uma grande barreira, se a pessoa n\u00e3o sabe falar o idioma, n\u00e3o entende o que est\u00e1 sendo dito. Em segundo, acho que \u00e9 a refer\u00eancia que as pessoas pegam, \u00e0s vezes mirando e querendo fazer igual a quem j\u00e1 tem um n\u00edvel muito alto, j\u00e1 est\u00e1 muito distante do que a pessoa consegue fazer nesse momento. Em terceiro, \u00e9 a aus\u00eancia de momentos e pr\u00e1ticas voltadas diretamente para as babies\u201d, avalia. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Eduarda continua dizendo que momentos focados para as babies \u201ctr\u00e1s uma seguran\u00e7a e uma potencialidade muito maior\u201d para as pessoas que est\u00e3o come\u00e7ando a caminhar. Ela conta j\u00e1 ter ouvido diversos relatos de babies que participam das balls com pessoas mais experientes, \u201cexiste um receio de se mostrar, um medo do erro, de se colocar na frente de pessoas que s\u00e3o refer\u00eancias para elas\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cUma ball, oficina ou treino s\u00f3 para as babies permite um \u2018descansar\u2019, um relaxamento da ansiedade que \u00e9 muito saud\u00e1vel, porque isso permite uma liberdade, d\u00e1 uma seguran\u00e7a maior, uma autoconfian\u00e7a que \u00e9 muito importante\u201d, observa.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Eduarda e Jordan comentam ainda que tem sido, aos poucos, desenvolvido um processo de adapta\u00e7\u00e3o da ballroom ao contexto e realidade do Brasil. Eles d\u00e3o como exemplo o processo de tradu\u00e7\u00e3o dos termos e frases, al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de categorias e passos ligados \u00e0 cultura nacional. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA ballroom Brasil vem se incrementando, fomentando, se adequando \u00e0s dan\u00e7as brasileiras como funk, batekoo, samba no p\u00e9,capoeira. A ideia n\u00e3o \u00e9 reproduzir uma cultura que \u00e9 de fora e dizer que \u00e9 nossa, mas adapt\u00e1-la de acordo com as nossas organiza\u00e7\u00f5es, racionalidades, quest\u00f5es pol\u00edticas e socias\u201d, afirma Eduarda.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">As oficinas para as babies acontecem durante todo o m\u00eas de Outubro, sempre nas segunda-feiras, no \u201cPredinho\u201d, sede da A\u00e7\u00e3o Educativa. N\u00e3o \u00e9 preciso ter experi\u00eancia ou forma\u00e7\u00e3o em dan\u00e7a. As aulas passam pelas categorias Runway, Face, Besta dress, Reallness, Vogue femme e Old Way.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Raquel Luanda, supervisora de comunica\u00e7\u00e3o e do Centro de Eventos da A\u00e7\u00e3o Educativa \u201cA ideia da programa\u00e7\u00e3o do Espa\u00e7o Cultural Periferia no Centro \u00e9 sempre trazer novos expoentes culturais, mobilizando coletivos perif\u00e9ricos, negros, feministas e LGBTQIAPN+, para que possam trazer as inventividades de suas produ\u00e7\u00f5es e apresentar, muitas vezes pela primeira vez, seus trabalhos, por isso oportunizar a primeira ball de algumas kikis e acolher as babies \u00e9 t\u00e3o importante para n\u00f3s!\u201d<\/span><\/p>\n<p>cc: Aguaqent<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cultura ballroom \u00e9 receptiva com quem \u00e9 novo na cena? 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