{"id":1740,"date":"2022-08-16T18:25:52","date_gmt":"2022-08-16T21:25:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/?p=1740"},"modified":"2022-08-16T18:42:13","modified_gmt":"2022-08-16T21:42:13","slug":"a-cultura-ballroom-mostra-a-cara-o-corpo-e-arte-lgbtqiap-na-12a-edicao-do-esteticas-das-periferias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2024\/novidades\/a-cultura-ballroom-mostra-a-cara-o-corpo-e-arte-lgbtqiap-na-12a-edicao-do-esteticas-das-periferias\/","title":{"rendered":"A cultura ballroom mostra a cara, o corpo e arte LGBTQIAP+ na 12\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Est\u00e9ticas das Periferias"},"content":{"rendered":"<p>por <strong>Paulo Pastore<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existe uma arte LGBTQIAP+? Qual o lugar dela? O que a cultura perif\u00e9rica tem haver com isso? A 12\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Est\u00e9ticas das Periferias &#8211; que acontece entre os dias 27de agosto a 04 de setembro &#8211; coloca a cultura ballroom no centro da sua programa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o para responder essas perguntas, mas para provocar esse debate e para brilhar junto com a cena insurgente que organiza a produ\u00e7\u00e3o marginalizada da juventude negra, perif\u00e9rica, de mulheres e LGBTQIAP+<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A cultura ballroom tem como ber\u00e7o o sub\u00farbio de Nova Iorque, nos anos 70, a partir da organiza\u00e7\u00e3o de pessoas negras e latinas integrantes da comunidade LGBTQIAP+. Ao mesmo tempo que afirmavam sua identidade perante uma sociedade cis e heteronormativa, tamb\u00e9m marcavam a posi\u00e7\u00e3o da identidade racial e \u00e9tnica.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A difus\u00e3o desta cultura alcan\u00e7ou o Brasil e adquiriu caracter\u00edsticas pr\u00f3prias. O Est\u00e9ticas das Periferias conversou com Simas Zion, mother da Kiki House of Maverick (Manaus-AM), Flip Couto, da Festa Am\u00e9m (S\u00e3o Paulo-SP), e com o coletivo Vogue Jampa (Jo\u00e3o Pessoa &#8211; PB). Apesar da trajet\u00f3ria da ballroom nessas cidades n\u00e3o ser a mesma, a forma como o seu surgimento permitiu\u00a0 que pessoas LGBTQIAP+ tivessem um espa\u00e7o de acolhimento, de express\u00e3o e de resist\u00eancia, revela a enorme import\u00e2ncia delas. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO movimento ballroom \u00e9 importante porque celebra a exist\u00eancia de pessoas trans, perif\u00e9ricas pretas que fogem da norma, que buscam se reoganizar em estruturas que possam dar conta de suas necessidades, sa\u00fade mental, f\u00edsica, sexual e afetiva\u201d, explica Flip. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Nas conversas com os entrevistados, o sentimento de \u201cacolhimento\u201d tangencia todas as respostas. Sendo o pa\u00eds que mais mata pessoas trans no mundo, n\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil imaginar o que representa\u00a0 os espa\u00e7os voltados para exaltar a beleza de \u201ccorpos\u201d e \u201ccorpas\u201d que fogem do padr\u00e3o. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Exemplo de como a afetividade \u00e9 central, explica Flip, \u00e9 o fato da cultura ballroom referir-se aos seus espa\u00e7os como \u201chouses\u201d (<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">coletivos que funcionam como fam\u00edlias, estabelecendo sentimentos de afeto e acolhimento), as lideran\u00e7as s\u00e3o conhecidas como m\u00e3es, pais e paes, as pessoas iniciantes como filhas, filhos e filhes.<\/span><\/p>\n<p><b>Conex\u00f5es<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O fato da cultura ballroom ter como marca a valoriza\u00e7\u00e3o das pessoas LGBTQIAP+, especialmente com um recorte racial, tornou-a uma manifesta\u00e7\u00e3o com grande potencial de identifica\u00e7\u00e3o no Brasil, explicam es entrevistades.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Simas lembra que como um pesquisador e dan\u00e7arino queer, especialista em vogue, ele come\u00e7ou a ter contato com a cultura ballroom, primeiramente a sua express\u00e3o nacional, com as caracter\u00edsticas pr\u00f3prias brasileiras, e s\u00f3 depois a sua origem estadunidense.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuando pensei em trazer e fomentar a cultura ballroom em Manaus, foi por acreditar no seu potencial de acolhimento, de promover o di\u00e1logo dentro da comunidade, por ser uma express\u00e3o que valoriza, exalta nossos corpos, especialmente os corpos e corpas pretas\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para a Vogue Jampa,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> a pr\u00e1tica \u00e9 uma ferramenta, criada pela e para a comunidade LGBTQIAP+ que d\u00e1 sentido e orgulho para suas e seus integrantes,\u00a0 \u00e9 algo que \u201csalva vidas\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Apesar de uma cena relativamente recente, a capital Jo\u00e3o Pessoa re\u00fane 7 casas, com cerca de 70 integrantes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir de um contato inicial pela internet, foi poss\u00edvel estabelecer um interc\u00e2mbio com refer\u00eancias da comunidade ballroom nacional como Yan Astra, PC Avalanx, Fanalis Valentino Oricci, Venus Valentino Oricci, Marchella 007 e Pioneira Yagaga Kengaral, o que foi decisivo para que a ballroom se firmasse como um movimento na cidade. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cJ\u00e1 havia um grupo majoritariamente composto por pessoas travestis que faziam festas e eventos sobre balls como o Coletivo Geranua. O interc\u00e2mbio com outras realidades, foi muito importante para o movimento ganhar forma\u201d, lembram. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar das dificuldades impostas pela pandemia, com a retomada de atividades presenciais, em julho de 2021, as casas voltaram a promover treinos abertos regulares e, mas recentemente, as balls voltaram a acontecer. \u201cTivemos um aumento de cerca de 400% no tamanho da comunidade nos \u00faltimos meses\u201d, pontuam.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um dos criadores da Festa AMEM, Flip Couto, tamb\u00e9m teve os seus primeiros passos, assim como Simas,\u00a0 por meio da dan\u00e7a vogue, em 2009. Por\u00e9m, o grande marco da sua inser\u00e7\u00e3o nessa cultura, deu-se a partir da apresenta\u00e7\u00e3o do seu espet\u00e1culo \u201cSangue\u201d, dentro de um evento ball.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMe sentiparte mesmo em 2016, durante a Residence Explode, quando tinha acabado de apresentar meu solo \u201cSangue\u201d, que contextualiza o impacto do HIV nas pessoas negras. A ball que encerrou esse encontro, a forma como o debate da minha apresenta\u00e7\u00e3o foi acolhida, me fez sentir parte daquilo\u201d. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cFesta Amem\u201d nasce entre os anos de 2016\/2017, com a realiza\u00e7\u00e3o de encontros para di\u00e1logos, escuta e acolhimento, ao mesmo tempo que tamb\u00e9m promovia\u00a0 momentos de celebra\u00e7\u00e3o, de festa e arte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA proposta de ter um espa\u00e7o de encontro para pessoas negras LGBTs transformou nossas balls em uma plataforma art\u00edstica, onde artistas do cen\u00e1rio independente apresentavam seus trabalhos, enquanto promoviam-se discuss\u00f5es relacionadas \u00e0 ra\u00e7a, classe, g\u00eanero, sexualidade e sa\u00fade.\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><b>Movimento pol\u00edtico ou cultural? <\/b><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Flip, Simas e o Coletivo Vogue Jampa entendem que a ballroom est\u00e1 al\u00e9m da discuss\u00e3o de ser ou uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou express\u00e3o art\u00edstica, pol\u00edtico-cultural, mas que existe\u00a0 de forma simult\u00e2nea.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cBallroom \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da mesma forma que \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o cultural. Ela se d\u00e1 com corpas da margem, corpas marginalizadas. Cada fala,cada grito, cada movimento \u00e9 express\u00e3o art\u00edstica, mas tamb\u00e9m \u00e9 um ato pol\u00edtico gigantesco\u201d, afirma Simas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para o Vogue Jampa, o \u201csimples ato de expressar sua identidade atrav\u00e9s da arte \u00e9 por si s\u00f3 uma manifesta\u00e7\u00e3o\u201d, isso porque s\u00f3 a exist\u00eancia de pessoas LGBTQIAP+ j\u00e1 \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que ganha ainda mais for\u00e7a e significado, quando elas se organizam e celebram a beleza de ser quem s\u00e3o. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, Flip entende que a ball extrapola uma l\u00f3gica bin\u00e1ria de quem ou se est\u00e1 fazendo pol\u00edtica, ou se est\u00e1 fazendo a arte, as quest\u00f5es que marcam as pessoas LGBTQIAP+ e a pr\u00f3pria exist\u00eancia delas, rompe com essas segmenta\u00e7\u00f5es, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA gente est\u00e1 falando sobre o cotidiano, que est\u00e1 atravessado por tudo, pelas viol\u00eancias sociais, pelas exclus\u00f5es, sonhos, desejos e car\u00eancia. A pr\u00e1tica da performance de g\u00eanero, a aceita\u00e7\u00e3o das suas belezas, as descobertas das suas pot\u00eancias\u2026 obviamente, isso vai interferir pol\u00edtica nas pol\u00edticas culturais, pol\u00edticas voltadas para a sa\u00fade\u201d, declara.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Flip ainda deixa o convite para a apresenta\u00e7\u00e3o de abertura do Est\u00e9ticas das Periferias, no dia 31 de outubro, que ir\u00e1 apresentar a inser\u00e7\u00e3o da cultura Ballroom no Brasil promovendo a exalta\u00e7\u00e3o de corpos dissidentes, negros, ind\u00edgenas e perif\u00e9ricos sendo uma potente express\u00e3o est\u00e9tica, pol\u00edtica e cultural da comunidade LGBTQIAPN+. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m do espet\u00e1culo de abertura, o Est\u00e9ticas 2022 conta com dezenas de atra\u00e7\u00f5es que al\u00e9m da pauta LGBTQIAPN+, exibe toda a puj\u00e2ncia, combatividade e beleza da arte perif\u00e9rica, a partir das suas m\u00faltiplas linguagens. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Paulo Pastore Existe uma arte LGBTQIAP+? 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