{"id":1562,"date":"2022-03-24T19:01:40","date_gmt":"2022-03-24T22:01:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/?p=1562"},"modified":"2022-03-24T20:02:44","modified_gmt":"2022-03-24T23:02:44","slug":"a-gente-cria-a-gente-manda-mulheres-assumem-a-lideranca-de-selos-editorais-perifericos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2024\/novidades\/a-gente-cria-a-gente-manda-mulheres-assumem-a-lideranca-de-selos-editorais-perifericos\/","title":{"rendered":"\u201cA gente cria, a gente manda\u201d: Mulheres assumem a lideran\u00e7a de selos editorais perif\u00e9ricos"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Uma conquista de espa\u00e7o. A cria\u00e7\u00e3o e o crescimento de selos editoriais liderados por mulheres, principalmente por mulheres negras, representa um movimento que visa garantir que a publica\u00e7\u00e3o de livros n\u00e3o fique restrita ao olhar masculino e nem apenas \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de escritores homens.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Est\u00e9ticas das Periferias conversou com quatro mulheres que criaram seus pr\u00f3prios selos editorais, as entrevistadas participam da <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0s\u00e9rie Encontros da C\u00e2mara Perif\u00e9rica do Livro na Livraria Ponta de Lan\u00e7a!<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA gente cria, a gente manda!\u201d. Essa \u00e9 a resposta simples e r\u00e1pida de Dinha Alves, que junta com outras parceiras criou o selo \u201cColetiva edi\u00e7\u00f5es Me Pari\u00f4\u201d.\u00a0 Escritora com livros publicados de maneira independente e tamb\u00e9m em grandes editoras, ela explica que a editora surgiu para que \u201cn\u00f3s pud\u00e9ssemos nos auto-publicar, realizando um trabalho com a nossa cara, e n\u00e3o de acordo com os processos e vontades das grandes editoras\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Elizandra Souza, do selo <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Mjiba<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, a presen\u00e7a de mulheres na lideran\u00e7a de selos editoriais surge devido \u00e0 aus\u00eancia de mulheres nesta posi\u00e7\u00e3o. \u201cEsse movimento \u00e9 muito mais uma rea\u00e7\u00e3o do que uma a\u00e7\u00e3o. A maioria das publica\u00e7\u00f5es de mulheres ainda est\u00e1 restrita a autopublica\u00e7\u00e3o, tudo por conta de quem escreve. As editoras lideradas por mulheres, felizmente, aos poucos, est\u00e3o mudando esse cen\u00e1rio\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre as contribui\u00e7\u00f5es deste movimento, Maria Vilani, do selo <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Selo Capsianos<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, acredita que h\u00e1 ganhos tanto porque contribuem para a \u201cdiminui\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia do feminino na literatura, al\u00e9m de fomentar a reflex\u00e3o acerca de quest\u00f5es relacionadas \u00e0 mulher nos mais variados aspectos.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Helena Silvestre, Editora Popular Txai, localiza o processo de mulheres assumindo selos editoriais dentro do processo das lutas feministas, o qual tem criado um ambiente no qual as mulheres t\u00eam percebido a import\u00e2ncia de contar suas hist\u00f3rias, de que as hist\u00f3rias das mulheres tem valor e beleza em contraponto a um mundo machista.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAs estruturas que fazem a literatura circular (as editoras, distribuidoras e toda esta cadeiado livro) ainda est\u00e3o majoritariamente em m\u00e3os de homens, heterossexuais, cis, brancos. A presen\u00e7a de mulheres \u00e0 frente de selos editoriais abre espa\u00e7o a vozes que guardam sabedorias preciosas que podem ser compartilhadas em livros e palavras.\u201d<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Na literatura perif\u00e9rica \u00e9 diferente? <\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Apesar de apontarem ser dif\u00edcil quantificar se a literatura perif\u00e9rica \u00e9 um espa\u00e7o mais receptivo \u00e0s mulheres do que a literatura comercial, Elizandra e Dinha apontam que a literatura falada, a exemplo dos Saraus e Slam\u2019s \u00e9 um espa\u00e7o marcado pela presen\u00e7a de mulheres em posi\u00e7\u00f5es de protagonismo.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1566 size-large aligncenter\" src=\"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/275752841_10230422897175757_6933967916197892887_n-800x540.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"405\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Dinha, h\u00e1 um descompasso com o fato de tantas mulheres terem espa\u00e7o na literatura falada, mas n\u00e3o terem o mesmo destaque quando o olhar se volta para as publica\u00e7\u00f5es impressas. \u201cA quest\u00e3o ainda \u00e9 que, na hora de publicar, de colocar o trabalho dessas mulheres no papel, existem algumas barreiras, gargalos. As mulheres escrevem muito, mas \u00e9 mais dif\u00edcil para elas publicarem\u201d, comenta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Elizandra lembra do trabalho publicado pelo Mjiba \u201cLiteratura Negra Feminina\u201d, que elaborou uma linha do tempo sobre o trabalho de mulheres negras &#8211; come\u00e7ando em 1859, com Maria Firmina do Reis, at\u00e9 2020. Nessa pesquisa, conta que h\u00e1 per\u00edodos de algumas d\u00e9cadas, onde n\u00e3o se encontra publica\u00e7\u00f5es de mulheres negras, e isso, avalia, d\u00e1-se \u201cn\u00e3o porque as mulheres negras n\u00e3o escreveram, mas porque n\u00e3o tiveram espa\u00e7o para publicar ou n\u00e3o houve preserva\u00e7\u00e3o deste trabalho\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cCadernos Negros, a partir de 1968, foi um marco muito importante que garantiu um espa\u00e7o frequente de publica\u00e7\u00e3o de mulheres negras. Nos \u00faltimos anos, com os Sarau\u2019s e Slam\u2019s funcionaram com um espa\u00e7o de encontro, de fomento e produ\u00e7\u00e3o importantes\u201d, explica. \u201cN\u00e3o tenho n\u00fameros para dizer se h\u00e1 mais mulheres na literatura perif\u00e9rica do que na literatura comercial, o que sei \u00e9 que nos existimos, e coletivamente estamos criando nossos espa\u00e7os\u201d.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 Helena Silvestre, entende que h\u00e1 sim uma diferen\u00e7a das rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero dentro da literatura perif\u00e9rica comparada a literatura \u201ccomercial\u201d. Para ela, por mais que as hierarquias de g\u00eanero estejam presente nos dois espa\u00e7os, o fato das editoras perif\u00e9ricas n\u00e3o serem pertencentes a \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">editores brancos e ricos, mas de companheiros de comunidade\u201d, permitem, apesar de n\u00e3o ser algo pronto, um espa\u00e7o para desconstru\u00e7\u00e3o dos privil\u00e9gios ligados ao machismo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Procura-se leitoras e leitores<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Para as entrevistadas, a import\u00e2ncia de constru\u00e7\u00e3o e de fortalecimento de selos editoriais femininos responde a uma demanda h\u00e1 muito existente, a qual pode ser percebida &#8211; e sentida &#8211; no expressivo n\u00famero de autoras mulheres que sonham em ter seus trabalhos autorais impressos.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Para Elizandra, o pr\u00f3ximo grande desafio atualmente \u00e9 investir na circula\u00e7\u00e3o dos trabalhos. Isso porque, mesmo enfrentando v\u00e1rias dificuldades, editoras lideradas por mulheres e escritoras mulheres t\u00eam conseguido publicar seus livros.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO nosso desafio principal tem sido fazer nossos livros conhecidos do p\u00fablico que se interessa pelo que fazemos. A gente consegue editais e apoio para a primeira edi\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 dif\u00edcil colocar a segunda para rodar; \u00c9 preciso fazer com que essas publica\u00e7\u00f5es circulem mais\u201d, avalia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na mesma linha, Maria defende que apesar do engajamento das mulheres como criadoras de literatura e l\u00edderes de movimentos liter\u00e1rios, com participa\u00e7\u00e3o ativa em selos editoriais, ainda \u201cfazem-se necess\u00e1rios ampliar os\u00a0 canais de difus\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e vendas das obras criadas por mulheres; propiciar cursos em \u00e1reas afins e fortalecer o interc\u00e2mbio entre as escritoras.\u201d<\/span><\/p>\n<p><strong>C\u00e2mara Perif\u00e9rica do Livro<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> C\u00e2mara Perif\u00e9rica do Livro (CPL) \u00e9 um projeto de articula\u00e7\u00e3o de editoras perif\u00e9ricas reunidas com o apoio da ONG A\u00e7\u00e3o Educativa. A associa\u00e7\u00e3o foi pensada para criar estrat\u00e9gias de produ\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o visando alcan\u00e7ar um p\u00fablico ainda mais amplo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O espa\u00e7o constru\u00eddo pela CPL \u00e9 um ambiente de reuni\u00e3o de editoras perif\u00e9ricas, o qual visa promover uma din\u00e2mica de troca de experi\u00eancias, de aprendizado e de forma\u00e7\u00e3o. Para Helena, esta iniciativa representa um \u201cprocesso riqu\u00edssimo de troca,de apoio m\u00fatuo, de compartilhamento de experi\u00eancias \u00c9 muito diferente construir em comunidade um sonho comum.\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Por sua vez, Dinha acredita que a import\u00e2ncia de andar junto com grupos e pessoas que compartilham de ideais comuns faz muita diferen\u00e7a. \u201cH\u00e1 momentos em que a gente est\u00e1 mais forte e andando mais r\u00e1pido, nessa hora podemos ajudar que est\u00e1 em um ritmo mais lento ou andando para tr\u00e1s. A CPL permite a gente saber o que tem funcionado e o que tem dado errado nas outras editoras, al\u00e9m da gente contar da nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Elizandra elogia o car\u00e1ter propositivo da iniciativa, o qual tem buscado tanto capacitar as editoras em quest\u00f5es t\u00e9cnicas e burocr\u00e1ticas, como tamb\u00e9m promover a circula\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o dos livros. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, Maria Vilani entende que a CPL <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">tem se alicer\u00e7ado no interc\u00e2mbio de escritores num sentido de busca de si no encontro com o outro e na valoriza\u00e7\u00e3o da literatura por meio da difus\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e venda das obras criadas por autores das camadas menos favorecidas do ponto de vista econ\u00f4mico, mas dotadas de alto n\u00edvel de criticidade<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No processo de organiza\u00e7\u00e3o da <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Edi\u00e7\u00f5es Me Pari\u00f3, o grupo prioriza um espa\u00e7o de auto-cuidado para as mulheres, o que permite uma liga\u00e7\u00e3o entre elas que vai para al\u00e9m da literatura, mas busca d\u00e1 conta tamb\u00e9m do lugar da mulher negra na periferia, das alegrias e das dores, de como todas essas quest\u00f5es influ\u00eancia no trabalho art\u00edstico e nos outros campos da vida. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Uma conquista de espa\u00e7o. 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