{"id":2026,"date":"2022-12-01T17:04:37","date_gmt":"2022-12-01T20:04:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/?p=2026"},"modified":"2022-12-01T17:59:02","modified_gmt":"2022-12-01T20:59:02","slug":"dia-mundial-de-luta-contra-a-aids-a-gente-quer-a-cura-desse-projeto-de-sociedade-explica-ativista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/novidades\/dia-mundial-de-luta-contra-a-aids-a-gente-quer-a-cura-desse-projeto-de-sociedade-explica-ativista\/","title":{"rendered":"Dia Mundial de Luta contra a AIDS: \u201cA gente quer a cura desse projeto de sociedade\u201d, explica ativista"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cManter a mem\u00f3ria dos que foram assassinados pela AID$, garantir a visibilidade dos que lutam e fortalecer respostas \u00e0 epidemia\u201d , \u00e9 assim que Lili Nascimento, da Coletiva Loka de Efavirenz, resume parte do simbolismo do 01 de dezembro, reconhecido pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade como Dia mundial de luta contra a AID$.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Na conversa com o Est\u00e9ticas das Periferias, Lili ressalta que as bandeiras de luta e mobiliza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas passam por defender a luta pela cura &#8211; que seja \u201cgratuita e de acesso universal\u201d. Ao mesmo tempo busca-se romper a l\u00f3gica reducionista de discuss\u00e3o da AIDS sob o prisma da preven\u00e7\u00e3o,que invisibiliza e viv\u00eancia de pessoas soropositivas &#8220;dentro das pol\u00edticas dos afetos, das discuss\u00f5es sobre gera\u00e7\u00e3o de renda, desencarceramento, etc\u201d.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A Coletiva Loka Efavirenz surgiu em 2016, organizando-se em torno da necessidade da atualiza\u00e7\u00e3o sobre os discursos em torno da epidemia da AIDS. Lili explica que, desde os anos 60, in\u00edcio da luta social e pol\u00edtica, os grupos e coletivos que atuam nesse campo se utilizaram das express\u00f5es culturais e art\u00edsticas como forma de criar rela\u00e7\u00f5es entre si, conscientizar e fomentar a luta por direitos. Na entrevista abaixo, ela conta como tem se dado essas estrat\u00e9gias, os projetos e sonhos de \u201cimaginar e co-criar no coletivo futuros poss\u00edveis, de liberdade e de gozo\u201d.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><b>Qual a import\u00e2ncia do dia 01 de dezembro, dia mundial de luta contra a AIDS?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0O dia 1 de dezembro\u00a0 \u00e9 uma data simb\u00f3lica importante para manter a mem\u00f3ria das pessoas que atuam na linha de frente na elabora\u00e7\u00e3o de respostas \u00e0 epidemia de Aids, a data \u00e9 uma forma de tentar n\u00e3o deixar cair no esquecimento as mais de 2 milh\u00f5es de pessoas assassinadas pela AIDS no mundo inteiro,<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Quando surgiu a Loka de Efavirenz\u00a0 e como iniciou-se a organiza\u00e7\u00e3o em torno dessa pauta?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Coletiva Loka de Efavirenz foi idealizada em 2016 no 1\u00ba Curso de\u00a0 Participa\u00e7\u00e3o Juvenil, Ativismo e Direitos Humanos em HIV\/AIDS no Estado de S\u00e3o Paulo, a partir da reflex\u00e3o sobre a necessidade da atualiza\u00e7\u00e3o sobre os discursos em torno da epidemia da AIDS, sobretudo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade de vida que \u00e9 negada \u00e0s pessoas vivendo com HIV\/AIDS (PVHA) no Brasil. A priori, o mote principal eram as\u00a0 cr\u00edticas \u00e0s ind\u00fastrias farmac\u00eauticas, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o ao apagamento da discuss\u00e3o sobre os efeitos colaterais em decorr\u00eancia do uso prolongado de medica\u00e7\u00f5es com altas taxas de toxicidade, assim como quest\u00f5es sobre estigma e discrimina\u00e7\u00e3o, decorrentes de processos de vulnerabiliza\u00e7\u00e3o program\u00e1ticas e precariza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Dentre os principais projetos do coletivo est\u00e1 a p\u00e1gina de facebook \u201cLoka de Efavirenz\u201d, seguida por mais de 6.000 pessoas, e com um alcance m\u00e9dio de 10 mil pessoas por semana. Essa p\u00e1gina funciona como canal de den\u00fancia e dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre a epidemia de HIV\/AIDS no Brasil.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s mais de dois anos de trajet\u00f3ria, a Coletiva Loka de Efavirenz obteve reconhecimento de uma parcela consider\u00e1vel do movimento hist\u00f3rico de AIDS, tanto acad\u00eamico, quanto social, como a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira Interdiscip\u013ainar de AIDS (ABIA), N\u00facleo de Estudos de Preven\u00e7\u00e3o ao HIV\/AIDS (NEPAIDS), Grupo de Incentivo \u00e0 Vida (GIV), Departamento Estadual de HIV\/AIDS, Centro de Refer\u00eancia da Diversidade (CRD),\u00a0 Anima Educa\u00e7\u00e3o, Ag\u00eancia AIDS, N\u00facleo de Estudos dos Marcadores Sociais da Diferen\u00e7a (NUMAS), e at\u00e9 mesmo reconhecimento da pr\u00f3pria ONU.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Qual a rela\u00e7\u00e3o da cultura com com a pauta da AIDS e outras infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis (ISTs)? Como a cultura contribui e\/ou fortalece essa agenda?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A arte \u00e9 historicamente uma ferramenta de expans\u00e3o de vozes e express\u00e3o de corpos que n\u00e3o s\u00e3o ouvidos. No caso espec\u00edfico da epidemia de AIDS, coletivos de artistas como o Visual AIDS e Act Up foram grandes propulsores dos direitos civis das pessoas vivendo com HIV\/AIDS. Em meados da d\u00e9cada de 1980, com o slogan &#8220;sil\u00eancio igual \u00e0 morte&#8221; centenas de ativistas se reuniram em frente a Casa Branca nos EUA para costurar uma enorme bandeira com roupas de pessoas que morreram em decorr\u00eancia da AIDS e seguiram nas ruas por semanas com a\u00e7\u00f5es em diversas linguagens: artes c\u00eanicas, artes pl\u00e1sticas, artes visuais, etc. Tal a\u00e7\u00e3o se repetiu ao redor do mundo, inclusive aqui no Brasil e foram por esses meios que hoje conquistamos nossos direitos atuais de acesso ao rem\u00e9dio, sigilo e outros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Inspirados nesse hist\u00f3rico estamos desde 2016 desenvolvendo\u00a0 projetos como \u201cControle (In)Vis\u00edvel\u201d apresentado em parceria com o Sesc S\u00e3o Paulo, onde buscamos ampliar esta no\u00e7\u00e3o da arte, bem como suscitar e ampliar o debate em torno dos atravessamentos da viv\u00eancia com HIV\/AIDS.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A arte possibilita que as no\u00e7\u00f5es sobre as epidemias ultrapassem as ideias moralizantes e estigmatizantes. Dessa forma \u00e9 poss\u00edvel a reconstru\u00e7\u00e3o da imagem subjetiva &#8211; que n\u00e3o deixa de ser hist\u00f3rica e socialmente constru\u00edda &#8211; de um corpo que foi reservado sob o signo da morte. Assim, podemos desmanchar no\u00e7\u00f5es abstratas da epidemia e nos enxergar pessoas vivas, ao inv\u00e9s de mortos vetores de um v\u00edrus. J\u00e1 que para n\u00f3s, pessoas vivendo com HIV\/AIDS, as possibilidades de express\u00f5es pela arte nos permitem\u00a0 transmutar a moral e o estigma, rompendo com os silenciamentos e tornando-nos, portanto, o que somos: Pot\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Estigma, preconceitos\u2026 qual as maiores dificuldades sobre a quest\u00e3o? Como as dimens\u00f5es de g\u00eanero e ra\u00e7a atravessam a pandemia de HIV\/AIDS?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tanto a AIDS quanto a COVID-19, atuam e persistem sobre determinados corpos, isto \u00e9, mostram-se como mais um vi\u00e9s de toda viol\u00eancia estrutural, institucional e simb\u00f3lica que os atinge. O n\u00famero crescente de pessoas que se soroconvertem, bem como o aumento das taxas de mortalidades est\u00e3o diretamente atrelados \u00e0s opress\u00f5es sociais, ou seja, o racismo, a misoginia e a homolesbotransfobia produzem estruturas que vulnerabilizam essas popula\u00e7\u00f5es e as tornam mais suscet\u00edveis \u00e0s epidemias, inclusive as de AIDS e COVID-19.<\/span><\/p>\n<p><strong>Qual a seria a pauta, mensagem ou ideia que a Loka de Efavirenz quer transmitir para a \u201csociedade em geral\u201d? E qual &#8220;realidade&#8221; \u00a0ou qual o mundo a ser constru\u00eddo?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A principal pauta da Loka \u00e9 a cura! Queremos a cura, que seja gratuita e de acesso universal. E isso \u00e9 sobre vida! Conseguir imaginar e co-criar no coletivo futuros poss\u00edveis, de liberdade e de gozo, romper com a l\u00f3gica de falar sobre AIDS somente no que tange a preven\u00e7\u00e3o e conseguir compreend\u00ea-la dentro das pol\u00edticas dos afetos, das discuss\u00f5es sobre gera\u00e7\u00e3o de renda, desencarceramento, etc. A cura diz de um outro projeto de sociedade e n\u00e3o se restringe ao aspecto biom\u00e9dico\/biol\u00f3gico, a cura tamb\u00e9m precisa ser social, na medida em que a desconstru\u00e7\u00e3o do estigma sobre a viv\u00eancia com HIV\/AIDS, principalmente atrav\u00e9s das artes, \u00e9 uma das principais ferramentas de constru\u00e7\u00e3o de uma nova realidade, que prioriza o bem viver.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para conhecer mais:<br \/>\nLoka de Efavirenz: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/loka.de.efavirenz\/\">@loka.de.efavirenz<\/a> (instagram) e <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LokadeEfavirenz\/\">facebook<\/a><\/span><\/p>\n<p>por Paulo Pastore<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cManter a mem\u00f3ria dos que foram assassinados pela AID$, garantir a visibilidade dos que lutam e fortalecer respostas \u00e0 epidemia\u201d , \u00e9 assim que Lili Nascimento, da Coletiva Loka de Efavirenz, resume parte do simbolismo do 01 de dezembro, reconhecido pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade como Dia mundial de luta contra a AID$. 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