{"id":1961,"date":"2022-09-22T15:57:07","date_gmt":"2022-09-22T18:57:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/?p=1961"},"modified":"2022-09-24T09:45:48","modified_gmt":"2022-09-24T12:45:48","slug":"transmasculinidades-o-reconhecimento-e-o-encontro-como-caminho-para-existencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/novidades\/transmasculinidades-o-reconhecimento-e-o-encontro-como-caminho-para-existencia\/","title":{"rendered":"Transmasculinidades: O reconhecimento e o encontro como caminho para exist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Corpos que existem, corpos que falam, corpos que fazem arte. A segunda edi\u00e7\u00e3o do \u201cVozes Ballroom\u201d, produzido pela Casa de Mutatis, como parte da programa\u00e7\u00e3o do Est\u00e9ticas das Periferias no Espa\u00e7o Cultural Periferia no Centro, foi o primeiro evento da Ballroom com protagonismo transmasculine na cidade de S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao celebrar e exaltar a beleza e a exist\u00eancia de corpos transmasculines, o ato tamb\u00e9m questionou e chamou para a reflex\u00e3o sobre como a sociedade, al\u00e9m da pr\u00f3pria comunidade LGBTQIAP+, relaciona-se com esse grupo.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A convite da A\u00e7\u00e3o Educativa, Veroni Vieira, da Casa de Mutatis, conta que a iniciativa faz parte de um processo de reconhecimento e de encontro entre transmasculines. Busca-se por meio da troca e do compartilhamento, promover espa\u00e7os seguros para que coletivamente possam existir, expressar e se fortalecer.\u00a0 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAtualmente, a gente tem conseguido com certa frequ\u00eancia, pelo menos uma vez por m\u00eas nos encontrarmos, seja para oficinas de dan\u00e7a, para falar de sa\u00fade, debater pol\u00edticas p\u00fablicas. A exist\u00eancia desses momentos \u00e9 muito importante porque promove o cuidado, o reconhecimento no outro, d\u00e1 for\u00e7a\u201d, explica. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><b>A transmasculinidade \u00e9 aceita?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Edan Mar, integrante da Casa Mutatis, avalia que o fato da cultura ballroom ter surgido como uma rea\u00e7\u00e3o as pr\u00e1ticas excludentes dentro do pr\u00f3prio universo LGBT, em rela\u00e7\u00e3o a pessoas negras e latinas, n\u00e3o torna essa manifesta\u00e7\u00e3o imune a reproduzir pr\u00e1ticas que possam oprimir ou excluir grupos.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00e3o \u00e9 porque \u00e9 um espa\u00e7o que se coloca contra opress\u00f5es que dentro dele v\u00e3o deixar de existir recortes de classe, de ra\u00e7a, de territorialidades. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Crystal Labeija, que iniciou os caminhos da cultura Ballroom em Nova York, n\u00e3o era vista como bonita por ser uma mulher trans negra<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, dentro de espa\u00e7os formados por gays e l\u00e9sbicas brancos e brancas. Sempre v\u00e3o existir atravessamentos e recortes, os quais podem sim acabar excluindo os transmasculines\u201d, aponta.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Entre as v\u00e1rias apresenta\u00e7\u00f5es e interven\u00e7\u00f5es do \u201cVozes Ballroom\u201d, o cantor All Ice foi um dos destaques do line up. Para ele, a quest\u00e3o envolvendos os transmasculines n\u00e3o est\u00e1 mais em discutir se s\u00e3o aceitos ou de \u2018ensinar\u2019 para outras pessoas quem s\u00e3o eles, o foco \u00e9 \u201csuperar as pr\u00e1ticas e comportamentos que tentam nos apagar ou invisibilizar\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00f3s somos aceitos, as pessoas j\u00e1 tem informa\u00e7\u00e3o de que n\u00f3s somos. Por\u00e9m, o que acontece \u00e9 um apagamento. No teatro, na m\u00fasica, nas casas de shows, muita gente fica falando que n\u00e3o existem transmasculines na cena\u201d, cr\u00edtica. \u201cJunto de outros transmasculines, a gente tem criado um novo momento em rela\u00e7\u00e3o a esta hist\u00f3ria de apagamento, de criar uma cena nossa\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao falar sobre a aceita\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o dos transmaculines, Veroni diz que n\u00e3o h\u00e1 uma resposta simples para isso, mas que\u00a0 os preconceitos est\u00e3o presentes e s\u00e3o reproduzidos tamb\u00e9m nesses espa\u00e7os. Para ele, um dos desafios principais \u00e9 com o compromisso das pessoas em estar estar dispostos a ouvir,\u00a0 rever-se e a assumir a reprodu\u00e7\u00e3o dessas pr\u00e1ticas opressoras, al\u00e9m de ajudar na constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os mais seguros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAs pessoas se blindam a ouvir qualquer cr\u00edtica, n\u00e3o aceitam ouvir \u2018Oh, voc\u00ea foi racista nisso, ou foi transf\u00f3bico. N\u00e3o querem repensar, acham que est\u00e3o imunes a errar, e isso as impede de aprender e, principalmente, de mudar, de corrigir essas atitudes\u2019, lamenta. Para ele, os transmasculines est\u00e3o passando por um momento de retomada, em um processo de \u201cquestionar e estar\u201d nos lugares, com uma a\u00e7\u00e3o que passa por questionar a invisibilidade, ao mesmo tempo em que reafirma sua presen\u00e7a. N\u00f3s estamos aqui e fizemos um evento lindo na A\u00e7\u00e3o Educativa, \u00e9 sobre isso tamb\u00e9m.<\/span><\/p>\n<p><strong>Outras masculinidades<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Veroni, Edan e All Ice o transmasculine n\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m que afirma ou que quer exibir a no\u00e7\u00e3o de masculinidade imposta como padr\u00e3o pela sociedade. Isso porque, explica Edan, o modelo atual passa por uma hierarquiza\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o de tudo aquilo que n\u00e3o \u00e9 igual a esse \u201chomem\u201d. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA gente nunca vai chegar a ser um homem cisg\u00eanero como a sociedade entende que \u00e9 esse homem, do qual ela exige e espera uma determinada corporalidade. A ideia n\u00e3o \u00e9 ser esse homem cis, a gente tem uma ideia de masculinidade dentro do corpo que habitamos, e queremos construir isso de uma maneira saud\u00e1vel\u201d, explica. \u201cEu, pessoalmente, sinto a transmasculinidade como um lugar cr\u00edtico dessa defini\u00e7\u00f5es de identidade\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">All Ice alerta para o fato de que a\u00a0 quest\u00e3o racial n\u00e3o pode ser deixada de lado nesse debate, n\u00e3o \u00e0 toa, o seu lema \u00e9 \u201cpesadelo do homem branco\u201d.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cToda pessoa negra dissidente \u00e9 um pesadelo para o homem branco. Um transmasculine negro que faz arte, que faz pol\u00edtica, que est\u00e1 em sociedade e n\u00e3o sucumbe ao projeto de morte e de pris\u00e3o imposto aos corpos negros, s\u00e3o pesadelos para homem branco\u201d, sentencia. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, Veroni pontua que as transmasculinidades est\u00e3o em constante processo de cria\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de uma nova realidade, de uma &#8220;outra&#8221; masculinidade, \u00e9 nesta caminhada, nessa trajet\u00f3ria que ele tira for\u00e7a\u00a0 para viver.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cOs transmasculines est\u00e3o construindo novos imagin\u00e1rios sociais, novas rotas, novas estrat\u00e9gias, criando e fortalecendo espa\u00e7os de seguran\u00e7a sempre olhando para tr\u00e1s, mas andando pra frente\u201d, declarou.<\/span><\/p>\n<p><strong>Mini-bios:<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-1963\" src=\"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/all-ice-800x600.jpg\" alt=\"\" width=\"120\" height=\"120\" \/><strong>All Ice<\/strong> @all.iceee e\u0301 cantor, m\u00fasico, compositor, poeta, articulador cultural, pesquisador de cria\u00e7\u00f5es decoloniais e pai. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Atualmente esta\u0301 envolvido na circula\u00e7\u00e3o de seu \u00c1lbum \u201cUniverso Nu\u201d\u00a0 dispon\u00edvel em todas as plataformas digitais. Vive e trabalha em S\u00e3o Paulo. \u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1964 alignleft\" src=\"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/adan01-800x600.jpeg\" alt=\"\" width=\"120\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/adan01-768x1153.jpeg 768w, https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/adan01-1023x1536.jpeg 1023w, https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/adan01.jpeg 1066w\" sizes=\"(max-width: 120px) 100vw, 120px\" \/>Edan Mar<\/strong> \/ Legendary Prince Edan Mutatis | @edan_mar_infinito<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Transmasculino, Latino, artista do corpo, produtor e Criador de infinitas possibilidades. Nasceu na Col\u00f4mbia, mas atualmente mora em S\u00e3o Paulo (Brasil); faz parte da Cultura Ballroom desde 2018, performa principalmente nas categorias de Runway e Oldway; desde mar\u00e7o de 2019 \u00e9 parte da Excelente Kiki Casa de Mutatis @houseofmutatis, onde atualmente \u00e9 Prince. Em agosto de 2022 recebeu o t\u00edtulo de Legendary Transmasculino OldWay. Atualmente \u00e9 estudante de Dan\u00e7a e performance na SP\u00a0 Escola de dan\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1965 alignleft\" src=\"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/veroni01-800x600.jpg\" alt=\"\" width=\"120\" height=\"145\" srcset=\"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/veroni01-768x929.jpg 768w, https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/veroni01.jpg 1058w\" sizes=\"(max-width: 120px) 100vw, 120px\" \/>Veroni Vieira<\/strong> @vieiraveve \u00e9 Multiartista, N\u00e3o Bin\u00e1rie, Nanai de Cacau, Mutirante e morador da Zona Leste de S\u00e3o Paulo. Formado em Dan\u00e7a pela Escola Livre de Dan\u00e7a em 2013, e com estudos voltados \u00e0s dan\u00e7as urbanas e especificamente o FUNK, j\u00e1 participou de trabalhos como int\u00e9rprete, performer, preparador corporal, orienta\u00e7\u00e3o art\u00edstica, dire\u00e7\u00e3o de cena, educador, fot\u00f3grafo entre outros. Conheceu a Ballroom em 2016 quando produziu e participou das Oficinas de Voguing e Waacking com Pioneiro F\u00e9lix Pimenta no CEU Rosa da China, que contou um pouco do legado hist\u00f3rico de resist\u00eancia da comunidade desde meados de 1970, em 2018 participou da oficina de Dan\u00e7a e G\u00eanero com Pioneiro F\u00e9lix Pimenta e da Cria\u00e7\u00e3o da Ball De Volta para o Futuro no Centro de Refer\u00eancia da Dan\u00e7a, onde fez o registro fotogr\u00e1fico, e vem desde 2019 produzindo junto a sua fam\u00edlia \u201cCasa de Mutatis\u201d diversos projetos com objetivo de gerar espa\u00e7os de reconhecimento e acolhimento as pessoas da comunidade. Que s\u00e3o: Ballroom nas Redes contemplado pelo Programa Vai II 2020, Ball na Laje 2.0, Carnaball, V\u00edrus Ball, Vozes Ballroom, Cypher de Commentator e a 1\u00ba Exposi\u00e7\u00e3o Audiovisual com fotografias suas (registradas na BALL na laje) chamada de ZL M1L GR4U, que ficou exposta em locais como o Instituto Polis e a Oficina Cultural Alfredo Volpi.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Corpos que existem, corpos que falam, corpos que fazem arte. A segunda edi\u00e7\u00e3o do \u201cVozes Ballroom\u201d, produzido pela Casa de Mutatis, como parte da programa\u00e7\u00e3o do Est\u00e9ticas das Periferias no Espa\u00e7o Cultural Periferia no Centro, foi o primeiro evento da Ballroom com protagonismo transmasculine na cidade de S\u00e3o Paulo. 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