{"id":1552,"date":"2022-03-22T15:02:40","date_gmt":"2022-03-22T18:02:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/?p=1552"},"modified":"2022-03-22T19:18:32","modified_gmt":"2022-03-22T22:18:32","slug":"futebol-de-rua-o-dialogo-como-ferramenta-no-enfrentamento-ao-racismo-e-machismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/novidades\/futebol-de-rua-o-dialogo-como-ferramenta-no-enfrentamento-ao-racismo-e-machismo\/","title":{"rendered":"\u00a0Futebol de Rua: O di\u00e1logo como\u00a0 ferramenta no enfrentamento ao racismo e machismo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-1554 size-large\" src=\"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/10348193_331609600327172_8813589933218256570_n-800x600.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\" \/><\/span><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o d\u00e1 para evitar o conflito, mas o que a gente faz quando ele acontece, isso tem como transformar. A metodologia do futebol de rua (<span style=\"font-weight: 400;\">f\u00fatbol callejero<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">) incentiva essa mudan\u00e7a\u201d. \u00c9 assim que <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Mariana Andrade Fausto, Mari, responde sobre o potencial de mudan\u00e7a e aprendizado que, a partir do futebol,\u00a0 pode ser constru\u00eddo junto as crian\u00e7as que participam do Projeto Regional Interpaz.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m da Mari, que \u00e9 educadora de futebol de rua e tamb\u00e9m jogadora, o Est\u00e9ticas das Periferias conversou com <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Vanuzia Damasceno, que \u00e9 professora de futebol no <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Grupo Afirmativo de Mulheres Independentes (GAMI), no Rio Grande do Norte.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-1553 size-medium\" src=\"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/MARIANA-ANDRADE-TDH-464x253.png\" alt=\"Mariana Andrade (\u00e0 direita, de camiseta preta) atua como mediadora de futebol de rua pelo Projeto Interpaz\" width=\"300\" height=\"164\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Atualmente, o Projeto Regional Interpaz, conta com 7 polos de futebol de rua. Tr\u00eas deles no Nordeste, em parceria com o Instituto Esporte Mais, a Associa\u00e7\u00e3o Quilombola de Concei\u00e7\u00e3o das Crioulas (AQCC) e o Grupo Afirmativo de Mulheres Independentes (GAMI). No estado de S\u00e3o Paulo, <\/span><a href=\"https:\/\/interpaz.tdh-latinoamerica.de\/acciones\/brasil-novos-polos-de-futebol-de-rua\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">h\u00e1 outros quatro polos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">: Piratinhas, Al\u00e9m das fronteiras e dois em unidades femininas da Funda\u00e7\u00e3o Casa, que conta com a participa\u00e7\u00e3o das jovens que est\u00e3o em cumprimento de medida\u00a0 socioeducativa.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Entre os conflitos que presenciou e as mudan\u00e7as poss\u00edveis, Mari d\u00e1 como exemplo um campeonato de futebol de rua que havia uma regra determinando a presen\u00e7a de pelo menos uma mulher em cada um dos times. Ap\u00f3s o fim do jogo, algumas pessoas come\u00e7aram a dizer que determinado time n\u00e3o deveria ganhar o ponto porque s\u00f3 tinha homens no time. S\u00f3 que o time que seria \u201cpenalizado\u201d era composto por uma mulher trans.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuando rolou esse epis\u00f3dio, a menina defendeu que a equipe dela tinha cumprido sim o requisito, afinal era uma mulher. Aconteceu o conflito da identidade dela n\u00e3o ser respeitada, mas o terceiro tempo existe exatamente para enfrentar esse desrespeito e propor uma solu\u00e7\u00e3o ou \u2018ensinar\u2019 para o outro aquilo que ele n\u00e3o sabe ou n\u00e3o conseguiu ainda aprender\u201d, explica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Mari, este epis\u00f3dio foi simb\u00f3lico por demonstrar que mesmo em um ambiente onde as quest\u00f5es de g\u00eanero, ra\u00e7a e sexualidade s\u00e3o discutidas, a n\u00e3o-compreens\u00e3o ou desrespeito ao outro acontece. Quando ia jogar bola com os meninos, lembra, que\u00a0 ouvia muito piada, n\u00e3o era aceita. A diferen\u00e7a \u00e9 que n\u00e3o havia um espa\u00e7o, um momento para ela se posicionar, nem nunca esses meninos precisaram parar para me ouvir e, talvez, aprender.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>driblando com o objetividade<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vanuzia, que tamb\u00e9m foi jogadora de futsal, conta que gostava de driblar, mas sempre com \u201cobjetividade\u201d, em dire\u00e7\u00e3o do gol. \u201cEra bem dif\u00edcil tomar a bola de mim, mas eu tamb\u00e9m n\u00e3o arriscava dribles bobos ou perigosos, jogava sempre pensando no coletivo.\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A combina\u00e7\u00e3o de dribles com objetividade tamb\u00e9m serve para ilustrar parte da trajet\u00f3ria do GAMI. A institui\u00e7\u00e3o j\u00e1 usa o futebol como ferramenta de aproxima\u00e7\u00e3o de meninas e mulheres h\u00e1 mais de 18 anos. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00f3s nos aproximamos de muitas meninas, que encontram no futebol um espa\u00e7o para se expressarem, uma atividade que protege elas de ambientes que podem representar alguma forma de viol\u00eancia ou de exclus\u00e3o\u201d, afirma.\u00a0 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Ela explica que adicionar a metodologia do f\u00fatbol callejero n\u00e3o foi necessariamente uma grande mudan\u00e7a ou redefini\u00e7\u00e3o das atividades ligadas ao futebol, significou, na verdade,\u00a0 um refor\u00e7o da ideia de usar o esporte n\u00e3o s\u00f3 como um aspecto de atividade f\u00edsica, mas tamb\u00e9m uma espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o de novas rela\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO terceiro tempo do futebol callejero ressalta a import\u00e2ncia do di\u00e1logo, da conversa como forma de entender a outra pessoa. Tem sido muito proveitoso integrar o projeto porque nele, a gente aprende a explorar cada vez mais o potencial que o futebol tem de mudar vidas, mesmo que voc\u00ea n\u00e3o vire uma atleta profissional\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Vanuzia, foi muito produtiva a participa\u00e7\u00e3o do GAMI no Interpaz, principalmente pela constru\u00e7\u00e3o de uma rede que enxergasse as potencialidade e ganhos que o futebol pode ter na vida de tantas meninas. Tamb\u00e9m brinca que, para al\u00e9m da discuss\u00e3o, do debate, sempre que pode \u201cainda joga bola junto com as novinhas\u201d. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>terceiro-tempo<\/b><b><\/b><\/p>\n<p><b><br \/>\n<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">O Futebol de Rua &#8211; pr\u00e1tica nascida na Argentina com o nome de Futebol Callejero &#8211; foi concebido como estrat\u00e9gia para alcan\u00e7ar os jovens e integrar dois grupos de jovens em conflito. Ainda dentro da estrat\u00e9gia inicial, tinha o objetivo de recuperar o futebol popular, com crian\u00e7as e jovens brincando na rua sem um \u00e1rbitro, com regras acordadas entre eles.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O movimento constituiu-se como ferramenta flex\u00edvel para abordar as quest\u00f5es das juventudes em diferentes contextos (viol\u00eancia, exclus\u00e3o social, viola\u00e7\u00e3o de direitos), sempre adaptada \u00e0s necessidades das organiza\u00e7\u00f5es e participantes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Antes do in\u00edcio de uma partida ou de um campeonato, os times, em comum acordo, podem estabelecer regras ou requisitos que precisam ser seguidos. A necessidade de ter uma mulher no time, por exemplo, foi o que provocou o debate sobre o epis\u00f3dio da menina trans, explica Mari.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando os dois tempos \u2018normais\u2019 acabam, come\u00e7a o terceiro tempo, que funciona como um espa\u00e7o de reflex\u00e3o, onde os participantes de ambos times dialogam em rela\u00e7\u00e3o ao que aconteceu no jogo, falando sobre os valores, e avaliam se merecem ou n\u00e3o os pontos atribu\u00eddos por respeito, coopera\u00e7\u00e3o e solidariedade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mari lembra que conheceu o futebol callejero aos 17 anos &#8211; hoje tem 24. O maior aprendizado com a pr\u00e1tica foi perceber como os pr\u00f3prios conflitos e desafios de uma partida, quando bem explorados, podem se transformar em ferramentas de mudan\u00e7as e aprendizado para os envolvidos. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Ela d\u00e1 como exemplo o fato de que em qualquer jogo \u2018normal\u2019 tem provoca\u00e7\u00e3o, tem conflito, tem um fazendo piada com o outro. A diferen\u00e7a \u00e9 que, quando acontece o terceiro tempo,\u00a0 quem n\u00e3o gostou da piada ou quem foi alvo de alguma brincadeira que n\u00e3o gostou, tem a oportunidade de falar o que aconteceu. Quem fez algo que ofendeu, tem que parar e encarar o resultado daquilo que fez. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Para Mari, apresentar o \u201cdi\u00e1logo\u201d como uma forma efetiva de resolver problemas n\u00e3o \u00e9 pouca coisa e nem significa algo meramente simb\u00f3lico.\u00a0 \u201cMuitas crian\u00e7as moram em lares e comunidades em que convivem com viol\u00eancias. Aqui aprendem que pode ser diferente: sem brigas, com di\u00e1logo\u201d.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar das diferen\u00e7as nos objetivos e na din\u00e2mica, Mari afirma que mesmo no futebol de alto rendimento, alguns princ\u00edpios e tamb\u00e9m a forma de enxergar a outra pessoa, fazem diferen\u00e7a. \u201cEu aprendi a entender melhor as outras jogadoras que est\u00e3o do meu lado, a gente come\u00e7a a perceber a frustra\u00e7\u00e3o do outro, mesmo querendo vencer, n\u00e3o deixar o respeito de lado\u201d, finaliza.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o d\u00e1 para evitar o conflito, mas o que a gente faz quando ele acontece, isso tem como transformar. 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