{"id":1538,"date":"2022-02-28T11:47:56","date_gmt":"2022-02-28T14:47:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2021\/?p=1538"},"modified":"2022-04-19T11:44:46","modified_gmt":"2022-04-19T14:44:46","slug":"o-carnaval-de-rua-nao-esta-a-venda-grupos-resistem-a-privatizacao-e-a-pandemia-do-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2021\/novidades\/o-carnaval-de-rua-nao-esta-a-venda-grupos-resistem-a-privatizacao-e-a-pandemia-do-covid-19\/","title":{"rendered":"O carnaval de rua n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 venda, grupos resistem a privatiza\u00e7\u00e3o e a pandemia do Covid-19"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No in\u00edcio de 2022, a cidade de S\u00e3o Paulo decidiu pela n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o do Carnaval de Rua. Em paralelo, o poder p\u00fablico deu sinal verde para a realiza\u00e7\u00e3o de festas e comemora\u00e7\u00f5es carnavalescas privadas. A justificativa foi que os eventos fechados permitem controlar a quantidade de pessoas e tamb\u00e9m a observa\u00e7\u00e3o de medidas sanit\u00e1rias. Os cr\u00edticos da diferencia\u00e7\u00e3o apontam que estaria em curso um processo de privatiza\u00e7\u00e3o do Carnaval. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O Est\u00e9ticas das Periferias conversou com movimentos e coletivos que constroem e d\u00e3o vida para o Carnaval de Rua na cidade de S\u00e3o Paulo, s\u00e3o eles: Baby Amorim, do bloco afro Il\u00fa Ob\u00e1 de Min, que leva de 40 a 50 mil pessoas nos seus desfiles de Carnaval; Anabela Gon\u00e7alves, representante do Bloco do Beco, coletivo que h\u00e1 20 anos saipelas ruas do bairro <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Jd. Ibirapuera, bairro da zona sul<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> e Gabriel Di Pierro integrante do Bloco Vai Quem Qu\u00e9, que \u00e9 uma das agremia\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em o Arrast\u00e3o dos Blocos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Para as entrevistadas, independente da decis\u00e3o do poder p\u00fablico sobre a realiza\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o do Carnaval de rua, j\u00e1 havia uma percep\u00e7\u00e3o de que seria necess\u00e1rio adiar a festa devido a persist\u00eancia dos altos \u00edndices de contamina\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quanto \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o do Carnaval, Anabela e Baby apontam que a tentativa de formatar a festa a l\u00f3gica do mercado vem de muito antes da pandemia. Para Gabriel, as festas fechadas \u201cn\u00e3o representam o esp\u00edrito do carnaval de rua, s\u00e3o eventos restritos para poucos, em geral brancos de maior renda\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>carnaval de rua sempre ser\u00e1 popular<\/b><b><br \/>\n<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Na vis\u00e3o de Anabela, a pr\u00f3pria ideia de que o \u201ccarnaval\u201d teria ressurgido em S\u00e3o Paulo, nos \u00faltimos anos, ignora que diversos grupos nunca deixaram de celebrar a festa, s\u00f3 que isso n\u00e3o era visto com tanta \u00eanfase, principalmente porque acontecia longe do centro. Ela acredita que a ideia de privatizar o carnaval \u00e9 um processo que \u201ca gente j\u00e1 vive h\u00e1 muito tempo\u201d e s\u00f3 n\u00e3o se completa porque h\u00e1 muita luta para que ele continue sendo popular<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO Carnaval de Rua \u00e9 uma festa popular que inclui a ideia de democratiza\u00e7\u00e3o e do acesso \u00e0 cultura para todos. Gente querendo ganhar dinheiro, lucrar com o Carnaval \u00e9 algo antigo. N\u00f3s fazemos Carnaval de Rua e vamos seguir fazendo. A diferen\u00e7a \u00e9 que, neste momento, a gente transforma essa festa em atividade como doa\u00e7\u00e3o de alimentos, de doa\u00e7\u00e3o de livros e outras a\u00e7\u00f5es similares\u201d, explica. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A ideia de territ\u00f3rio tamb\u00e9m aparece na fala de Baby. Para ela, as a\u00e7\u00f5es do poder p\u00fablico que sinalizam a cria\u00e7\u00e3o de um circuito com trajetos pr\u00e9-determinados para os blocos, ignorando como o percurso tradicional dos blocos guarda uma import\u00e2ncia com a trajet\u00f3ria e o pr\u00f3prio significado daquele grupo. Outro ponto apontado \u00e9 quanto a \u201cimporta\u00e7\u00e3o\u201d de blocos carnavelesco de outras cidades e a presen\u00e7a de empresas investindo cada vez mais s\u00e3o movimentos que denunciam o desejo de privatizar o carnaval, muito antes da chegada da pandemia. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA quest\u00e3o \u00e9 que a gente &#8211; que os grupos que fazem o Carnaval de Rua &#8211; resistem a esse movimento. O Carnaval \u00e9 uma festa muito importante\u00a0 e n\u00e3o estamos \u00e0 venda, a nossa identidade com essa festa, com o territ\u00f3rio onde vivemos\u00a0 \u00e9 muito grande\u201d, explica. \u201cN\u00e3o tem como voc\u00ea pedir para o Il\u00fa desfilar em um \u201cbloc\u00f3dromo\u201d ou ir para a Faria Lima, o Il\u00fa nasceu no centro, a identidade negra que deu origem ao Il\u00fa est\u00e1 ali. Por isso continuamos aqui\u201d.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Gabriel defende que o carnaval de rua, livre e comunit\u00e1rio, sempre foi um contraponto, uma demonstra\u00e7\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel reverter a l\u00f3gica de mercado que sempre tenta se apropriar dos espa\u00e7os p\u00fablicos,\u00a0 <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>mais um ano sem festa na rua<\/b><b><br \/>\n<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Anabela explica que no final de dezembro, o Bloco do Beco j\u00e1 havia decidido por n\u00e3o comemorar o Carnaval com o desfile na rua. \u201cCom a volta do aumento de contamina\u00e7\u00e3o nas festas de fim de ano (j\u00e1 sab\u00edamos) que este n\u00e3o seria o momento de voltarmos a fazer o Carnaval. Al\u00e9m disso, em alguns eventos que voltamos a organizar, muito gente aparece com a carteirinha de vacina\u00e7\u00e3o desatualizada. Ainda estamos em um momento de fortalecer as campanhas de vacina\u00e7\u00e3o e lutar contra o v\u00edrus\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na mesma linha, Baby conta que o Il\u00fa Ob\u00e1 de Min j\u00e1 tinha a decis\u00e3o pol\u00edtica de n\u00e3o sair, mesmo se o poder p\u00fablico tivesse autorizado. \u201cO Il\u00fa \u00e9 um bloco que concentra muita gente,\u00a0 por isso j\u00e1 tinha decididos isso anteriormente. Particularmente, eu acho que n\u00e3o deveria haver nada. Ainda estamos enfrentando uma nova cepa, a Covid-19 ainda est\u00e1 a\u00ed, por mais que seja uma disson\u00e2ncia tudo est\u00e1 rolando normalmente\u201d.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; No in\u00edcio de 2022, a cidade de S\u00e3o Paulo decidiu pela n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o do Carnaval de Rua. Em paralelo, o poder p\u00fablico deu sinal verde para a realiza\u00e7\u00e3o de festas e comemora\u00e7\u00f5es carnavalescas privadas. A justificativa foi que os eventos fechados permitem controlar a quantidade de pessoas e tamb\u00e9m a observa\u00e7\u00e3o de medidas sanit\u00e1rias. 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