{"id":1504,"date":"2021-11-26T17:44:33","date_gmt":"2021-11-26T20:44:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2021\/?p=1504"},"modified":"2021-11-26T17:57:07","modified_gmt":"2021-11-26T20:57:07","slug":"novas-carolinas-e-legal-ouvir-que-a-sharylaine-e-a-nossa-velha-guarda-do-hip-hop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2021\/novidades\/novas-carolinas-e-legal-ouvir-que-a-sharylaine-e-a-nossa-velha-guarda-do-hip-hop\/","title":{"rendered":"Novas Carolinas: \u201c\u00c9 legal ouvir que a \u201cSharylaine \u00e9 a nossa velha guarda do hip hop\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Ser um dos principais nomes dos principais movimentos culturais no Brasil, construindo uma carreira que celebra e exalta a cultura perif\u00e9rica, principalmente a mulher negra, torna a rapper Sharylaine uma personagem necess\u00e1ria da s\u00e9rie de perfis \u201cNovas Carolinas\u201d.<\/p>\n<p>Autora de cl\u00e1ssicos do rap como: \u201cSaudade\u201d, \u201cPoderosa\u201d, \u201cMina\u201d, \u201cMiss\u00e3o\u201d e \u201cLivre no Mundo\u201d, Sharylaine cresceu em universo repleto de arte e, especialmente, a m\u00fasica. Seu pai era membro de escola de Samba, a m\u00e3e f\u00e3 de Elza Soares e um tio DJ. Por\u00e9m, a transforma\u00e7\u00e3o de uma ouvinte de m\u00fasica em uma artista n\u00e3o foi algo t\u00e3o simples.<\/p>\n<p>\u201cA minha m\u00e3e n\u00e3o queria que eu virasse artista, mas tamb\u00e9m n\u00e3o proibia. Ela s\u00f3 n\u00e3o abria m\u00e3o de que eu deixasse os estudos de lado. Eu podia cantar, podia dan\u00e7ar \u2013 apesar dela sempre aconselhar que eu estudasse mais e sambasse menos. J\u00e1 o meu pai n\u00e3o gostava muito da minha rela\u00e7\u00e3o com o hip hop. Para ele, eu devia trabalhar, se fosse fazer algo com m\u00fasica, deveria ser samba\u201d, recorda a rapper.<\/p>\n<p>Crescendo nas ruas da Zona Leste de S\u00e3o Paulo, Sharylaine lembra que a compreens\u00e3o de ser uma pessoa negra foi algo autom\u00e1tico, isso porque sua fam\u00edlia era formada por pessoas negras, a maioria dos seus amigos e as pessoas que estavam nos espa\u00e7os que ela circulavam eram negras.<\/p>\n<p>\u201cA maioria da galera com quem eu andava era preta. Ent\u00e3o eu estava em casa, sabia que aquilo era um movimento de preto, o baile era \u201cblack\u201d, ent\u00e3o estava tudo certo\u201d, lembra.<\/p>\n<p>O que representou uma virada na sua vida art\u00edstica foi quando compreendeu o que significava ser uma mulher negra e adotar uma posicionamento feminista. \u201cAs mulheres brancas conseguiam sempre alcan\u00e7ar algo a mais que eu nunca conseguia. \u00c9 muito mais dif\u00edcil para uma mulher negra colocar o seu trabalho na rua para rodar, no m\u00e1ximo era uma musiquinha ali numa colet\u00e2nea e j\u00e1 estava bom\u201d, cr\u00edtica.<\/p>\n<p>A rapper lembra da mudan\u00e7a em como passou a ser vista por parte da cena do hip hop, principalmente pela galera mais nova, por causa de um elogio que os Racionais MC\u2019s fizeram para ela. \u201cQuando os Racionais falaram \u2018A Sharylaine levou a gente para tal lugar, ela apresentou \u2018n\u00f3is\u2019. A galera passou a me valorizar mais. Precisou deles terem falado\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Ela explica que \u00e9 muito dif\u00edcil encontrar rappers e MC\u2019s que s\u00e3o capazes de citar uma mulher quando respondem sobre quem serviu de inspira\u00e7\u00e3o para eles, \u201cs\u00f3 falam de homens. Por\u00e9m, j\u00e1 as rappers mulheres n\u00e3o fazem essa segrega\u00e7\u00e3o de g\u00eanero\u201d pontua Sharylaine.<\/p>\n<p>Quanto ao que mudou do momento em que come\u00e7ou a sua trajet\u00f3ria para hoje, Sharylaine avalia que a grande diferen\u00e7a est\u00e1 no acesso \u00e0 tecnologia e a possibilidade de colocar o trabalho para rodar. Por\u00e9m, a respeito do reconhecimento ou ainda de uma diminui\u00e7\u00e3o do racismo e do sexismo, ela acredita que mudou-se muito pouco em termos pr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>\u201cO reconhecimento para uma mulher negra \u00e9 sempre muito dif\u00edcil de ser dado. A pr\u00f3pria Carolina de Jesus conta que, mesmo depois do livro dela ter rodado o mundo, os seus vizinhos de bairro ainda tiravam com a cara dela, faziam piadas sobre o assunto, que ela ainda tava l\u00e1, morando na quebrada\u201d, pondera.<\/p>\n<p>Entre os seus \u00faltimos trabalhos, a artista tem se aproximado mais do samba, inclusive integrando o grupo \u201cAmigas do Samba\u201d.\u00a0\u201cEu me sinto m\u00fasica. J\u00e1 passei por v\u00e1rios estilos. Ainda quero fazer rock, mas \u00e9 o rap que me move, foi a cultura hip hop que me fez pulsar a veia art\u00edstica. Eu gosto de fazer uma m\u00fasica que expresse meu compromisso social e pol\u00edtico\u201d, finaliza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser um dos principais nomes dos principais movimentos culturais no Brasil, construindo uma carreira que celebra e exalta a cultura perif\u00e9rica, principalmente a mulher negra, torna a rapper Sharylaine uma personagem necess\u00e1ria da s\u00e9rie de perfis \u201cNovas Carolinas\u201d. 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