{"id":1033,"date":"2021-08-17T15:50:59","date_gmt":"2021-08-17T18:50:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2021\/?p=1033"},"modified":"2021-08-17T15:50:59","modified_gmt":"2021-08-17T18:50:59","slug":"clube-de-leitura-compartilha-vivencias-com-cartas-para-minha-mae-de-teresa-cardenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.esteticasdasperiferias.org.br\/2021\/novidades\/clube-de-leitura-compartilha-vivencias-com-cartas-para-minha-mae-de-teresa-cardenas\/","title":{"rendered":"Clube de leitura compartilha viv\u00eancias com \u2018Cartas para minha m\u00e3e\u2019, de Teresa C\u00e1rdenas"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-bodyer\">\n<div class=\"entry-container container\">\n<div class=\"entry-body-content\">\n<div class=\"entry-content\">\n<p>Uma menina que escrevia cartas para o c\u00e9u. Uma mulher que escreve livros para o mundo. A obra da premiada escritora cubana, Teresa Cardenas, foi tema do Clube de Leitura do coletivo Mulheres Negras na Biblioteca, organizado em conjunto com a A\u00e7\u00e3o Educativa\u00a0 e a Pallas Editora. O evento marcou a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Internacional da Mulher Negra, Latinoamericana e Caribenha.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de participa\u00e7\u00e3o gravada especialmente para o encontro, Teresa respondeu \u00e0s perguntas enviadas previamente pelos inscritos no evento. Devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es da pandemia, a transmiss\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o da escritora cubana e a intera\u00e7\u00f5es entre as participantes ocorreu em uma plataforma virtual.<\/p>\n<p>Ao responder sobre como surgiu o seu desejo de ser escritora, Teresa diz que esse desejo come\u00e7ou a se desenvolver desde a sua inf\u00e2ncia. \u201cNos livros que eu lia nas bibliotecas, nos livros que me davam nas escolas, n\u00e3o havia ningu\u00e9m parecido comigo, n\u00e3o tinham autores negros, n\u00e3o tinham personagens negros. Por isso eu comecei a escrever\u201d, conta.<\/p>\n<p>Durante o encontro, a leitura coletiva teve como base uma das obras de maior sucesso de Teresa no Brasil: \u201cCartas para minha m\u00e3e\u201d \u2013 que no espanhol era \u201cCartas al Cielo\u201d. A obra conta a hist\u00f3ria de uma menina negra, que se torna \u00f3rf\u00e3 com a morte da m\u00e3e e vai morar com parentes em um espa\u00e7o onde acaba sendo v\u00edtima de diversas formas de preconceito racial e outros mal tratos. O \u00fanico momento de escape e alento dessa menina \u00e9 quando escreve cartas que ser\u00e3o enviadas at\u00e9 o c\u00e9u, para que sua m\u00e3e as leia.<\/p>\n<p>\u201cEu sou uma escritora de temas dif\u00edceis e eu escrevo para jovens e crian\u00e7as\u201d, define-se Teresa. Em um primeiro momento, pode parecer estranho que \u201ctemas dif\u00edceis\u201d como a vida de uma menina sofrendo racismo dentro de sua pr\u00f3pria casa, a qual tem como \u00fanica interlocutora sua falecida m\u00e3e, seja uma obra voltada para crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>Sempre questionada do porqu\u00ea dessa escolha, Teresa responde que algu\u00e9m precisa contar essas hist\u00f3rias para crian\u00e7as, e explica que como o racismo vai atingir crian\u00e7as negras desde muito cedo, elas n\u00e3o podem aprender o que significa e como se defender s\u00f3 quando ficarem mais velhas. N\u00e3o saber o que \u00e9 o racismo ou achar que ser negra ou negro n\u00e3o \u00e9 bonito s\u00e3o problemas que n\u00e3o podem esperar para serem debatidos.<\/p>\n<p>O peso das emo\u00e7\u00f5es e as hist\u00f3rias relatadas pelas mulheres participantes do encontro mostram o acerto de Teresa na escolha por \u201ctemas dificeis\u201d. Entre as mulheres negras que leram os trechos da obra ou contaram suas experi\u00eancias, todas tinham algum relato sobre os diversos problemas causados pelo racismo nas suas inf\u00e2ncias.<\/p>\n<p>\u201cM\u00e3ezinha, resolveram me colocar na escola daqui. N\u00e3o gostei nem um pouco. Tem pouca luz l\u00e1. Sou a menina mais alta e mais preta da sala. Talvez a mais triste tamb\u00e9m\u201d. Ao ler esse trecho do livro de Teresa, as participantes se lembram de como era ser uma menina negra na sala de aula. A situa\u00e7\u00e3o do \u201cn\u00e3o-lugar\u201d, do \u201cdesconforto\u201d experimentada pela personagem de Teresa em Cuba, \u00e9 similar \u00e0\u00a0 de uma jovem menina negra no interior do Cear\u00e1, em uma grande cidade da Bahia ou em qualquer bairro da capital paulista.<\/p>\n<p>Outro trecho de muito impacto da obra tamb\u00e9m provoca uma identifica\u00e7\u00e3o imediata com a realidade brasileira, principalmente no que diz respeito ao projeto hist\u00f3rico-pol\u00edtico de \u201cembranquecimento racial\u201d. Em um dos trechos lido no Clube diz: \u201cMam\u00e3e, minha av\u00f3 diz que \u00e9 bom apurar a ra\u00e7a. Que o melhor que pode acontecer com a gente \u00e9 casar com um branco\u201d.<\/p>\n<p>Em uma sociedade como a brasileira, que insiste em dizer que n\u00e3o existe \u201cracismo\u201d e que acredita no \u201cmito da democracia racial\u201d, \u00e9 esperan\u00e7oso imaginar o potencial de apresentar para crian\u00e7as e adolescentes, por meio da literatura, reflex\u00f5es sobre hierarquia racial.<\/p>\n<p><strong>Obras no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Em suas visitas ao Brasil, Cardenas participou de eventos de literatura e visitou escolas p\u00fablicas para palestrar. Leitora e admiradora de Evaristo Concei\u00e7\u00e3o, a escritora percebe semelhan\u00e7as entre Cuba e o Brasil, seja pela grande presen\u00e7a de pessoas negras na sociedade, como pela aus\u00eancia de negros na literatura ou em outros espa\u00e7os de poder.<\/p>\n<p>Atualmente, a escritora tem tr\u00eas obras publicadas no Brasil: Cartas para minha m\u00e3e,\u00a0 Cachorro Velho e M\u00e3e Sereia, todos pelo selo \u201cPallas Editora\u201d:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.pallaseditora.com.br\/produto\/Mae_Sereia\/304\/\" rel=\"external\"><strong>M\u00e3e Sereia:<\/strong><\/a>\u00a0 Como seria a travessia de um navio sa\u00eddo da costa da \u00c1frica que, em seu interior, juntou pessoas de diferentes idades e fam\u00edlias para, num mesmo suspiro, enfrentar o medo e a escurid\u00e3o do mar desconhecido? Nesse percurso, M\u00e3e Sereia os acompanhou e, \u00e0 sua maneira, os acolheu amenizando assim essa injusta e dolorosa viagem.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.pallaseditora.com.br\/produto\/Cartas_para_a_minha_mae\/204\/\" rel=\"external\">C<strong>artas para a minha m\u00e3e:<\/strong> <\/a>\u00a0Uma menina escreve cartas para sua m\u00e3e morta. Atrav\u00e9s delas, ficamos sabendo que teve que ir morar com a tia e as primas, que n\u00e3o gostam dela. N\u00e3o se cansam de lembrar que deveria fazer um esfor\u00e7o para disfar\u00e7ar sua cor e ficar mais parecida com uma pessoa branca. Este \u00e9 um romance emocionante sobre perdas irrepar\u00e1veis e sobre o poder restaurador do amor e do autorespeito.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.pallaseditora.com.br\/produto\/Cachorro_Velho\/205\/\" rel=\"external\"><strong>Cachorro Velho:<\/strong><\/a> Por toda a vida, Cachorro Velho foi escravo no engenho de a\u00e7\u00facar do patr\u00e3o. Seu corpo est\u00e1 velho e cansado, sua mente se perde frequentemente em recorda\u00e7\u00f5es. \u00c0s vezes ele at\u00e9 imagina a pr\u00f3pria morte, ou pelo menos o que significa estar longe, muito longe. Ent\u00e3o, a velha escrava Beira lhe prop\u00f5e ajudar A\u00edsa, uma menina de dez anos, a fugir.<\/p>\n<p>Escrito por uma descendente de escravos, Cachorro Velho \u00e9 um retrato duro e comovente da desumanidade da escravid\u00e3o. \u201cO velho n\u00e3o temia o Inferno: tinha vivido nele desde sempre.\u201d<\/p>\n<h2><strong>Clube de leitura \u2013 Mulheres Negras na Biblioteca<\/strong><\/h2>\n<p>Um clube para leitores e n\u00e3o leitores de todas as idades, etnias e g\u00eaneros, de escritoras negras. Em que o p\u00fablico \u00e9 convidado a ler coletivamente um texto (em geral, contos) de autoria negro-feminina, em seguida, inicia-se uma troca de impress\u00f5es a respeito da obra. O objetivo dessa a\u00e7\u00e3o \u00e9 proporcionar um contato direto com a narrativa e aumentar o interesse do p\u00fablico pela literatura de autoras negras.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Clube MNB<\/strong>\u00a0\u00e9 o organizado pelo coletivo \u201cMulheres Negras na Biblioteca\u201d,\u00a0 projeto de incentivo \u00e0 leitura de obras de escritoras negras, idealizado e organizado por profissionais de Biblioteconomia e Letras, que se dedicam a promover atividades culturais a fim de contribuir para a forma\u00e7\u00e3o e aumento do p\u00fablico leitor de livros de autoria de mulheres negras, com o objetivo de tornar not\u00e1vel a import\u00e2ncia da inclus\u00e3o dessas obras nos acervos das bibliotecas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"e-tags\" class=\"entry-tags\" aria-labelledby=\"lbl-e-tags\">\n<div class=\"entry-tags-container container\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma menina que escrevia cartas para o c\u00e9u. 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